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014. Aliancismo Progressivo

✍🏻 https://www.youtube.com/watch?v=DZE-JtKbo5E
🔖 Notas_de_estudo, Hermenêutica, Doutrina_e_Escatologia

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Fundamentos Teológicos: O Elo entre Israel, Jesus e a Igreja

A Bíblia não é uma coleção de histórias desconexas, mas uma narrativa orgânica e progressiva. Para compreender essa unidade, o Aliancismo Progressivo (AP) apresenta-se como uma via equilibrada (uma via media) entre dois sistemas tradicionais. De um lado, evita a “unificação direta” da Teologia do Pacto Clássica, que muitas vezes funde Israel e a Igreja de forma quase indistinguível. Do outro, rejeita a “separação radical” do Dispensacionalismo, que propõe dois planos e dois povos distintos para Deus.

No Aliancismo Progressivo, a chave hermenêutica é uma lente clara e centralizadora: Jesus Cristo é o verdadeiro Israel, o herdeiro de todas as promessas e o ponto de convergência de toda a história bíblica.

Observe, a seguir, como Deus organizou Sua relação com a humanidade por meio de um plano único que se desdobra estrategicamente no tempo.


1. O Conceito de Revelação Progressiva e o Plano Único

Diferente do Dispensacionalismo, que vê propósitos distintos para Israel e para a Igreja, o Aliancismo Progressivo sustenta que Deus possui apenas um único plano redentor. No entanto, para o aluno iniciante, é vital notar uma distinção importante em relação à Teologia do Pacto Clássica: enquanto o sistema clássico vê as alianças bíblicas apenas como “administrações” diferentes de um único “Pacto da Graça” eterno, o Aliancismo Progressivo vê cada aliança como um passo histórico e distinto que constrói o caminho até Cristo.

Deus revelou Seu propósito gradualmente através de 5 alianças fundamentais:

  1. Aliança Adâmica: O fundamento da relação pactual de Deus com a humanidade e a criação.
  2. Aliança Abraâmica: Onde Deus promete uma semente e bênçãos para todas as famílias da terra.
  3. Aliança Mosaica: A constituição de Israel como nação sob a Lei e o sistema sacrificial.
  4. Aliança Davídica: A promessa de um trono e um Reino eterno através da linhagem do Rei Davi.
  5. Nova Aliança: O ápice e cumprimento de todas as anteriores, estabelecida pelo sangue de Cristo.

“Apesar das mudanças nas circunstâncias e nas exigências de cada pacto, Deus permanece fiel às Suas promessas. Cada aliança prepara o cenário para a superioridade da próxima, culminando na plenitude da revelação em Jesus.”

Note que, para entender o ápice desse plano, precisamos primeiro analisar a vocação específica que Deus deu ao Israel histórico.


2. A Vocação de Israel e o “Fracasso” da Nação

No Antigo Testamento, a nação de Israel foi chamada para uma missão mediadora. Eles deveriam ser os representantes de Deus diante do mundo.

Seria o caso de dizer que o plano de Deus foi frustrado? A resposta do Aliancismo Progressivo é um enfático NÃO. O fracasso da nação não foi um erro no plano divino, mas serviu para mostrar que a salvação não viria de uma estrutura étnica ou política, mas de um Representante perfeito que surgiria de dentro de Israel.

O fracasso de muitos aponta para a necessidade de um Único Representante que possa obedecer por todos.


3. Jesus Cristo: O Verdadeiro Israel e a Ponte entre Testamentos

Este é o coração da nossa teologia: Jesus não apenas “substitui” Israel; Ele realiza a Recapitulação da história de Israel. Isso significa que Jesus vive a trajetória que Israel deveria ter vivido, mas triunfa onde a nação fracassou. Jesus é o cumprimento antitípico de Israel.

Observe como Mateus 4:1-11 apresenta Jesus no deserto (40 dias) como um eco dos 40 anos de Israel no deserto:

Evento Israel no Deserto (Falha) Jesus no Deserto (Vitória) Resultado em Mateus 4
Fome e Providência Murmurou contra Deus por pão e duvidou do sustento. Recusou transformar pedras em pão, confiando na Palavra (Deut 8:3). Jesus confia onde Israel duvidou.
Testar a Deus Provocou a Deus em Massá, exigindo provas (Ex 17:7). Recusou-se a lançar-se do templo, citando: “Não tentarás o Senhor” (Deut 6:16). Jesus é fiel onde Israel foi rebelde.
Adoração e Reino Entregou-se à idolatria com o Bezerro de Ouro. Rejeitou todos os reinos do mundo para adorar somente a Deus (Deut 6:13). Jesus é o Rei fiel que Israel nunca foi.

Ao vencer esses testes, Jesus prova que Ele é o Mediador Superior. Conforme ensinado no livro de Hebreus (capítulos 6 a 8), Cristo cumpre e torna obsoletos os antigos mediadores. O sistema sacrificial, o templo físico e as leis cerimoniais eram apenas sombras; agora que a realidade (Cristo) chegou, as sombras perdem sua função mediadora direta.

A vitória de Jesus cria uma nova comunidade que não é baseada em sangue étnico, mas na união com Ele.


4. A Igreja e a Nova Realidade Histórico-Redentora

Diferente da Teologia do Pacto Clássica, que vê a Igreja como um “Novo Israel” (uma linha de continuidade direta), o Aliancismo Progressivo utiliza o conceito de Continuidade Mediada. A Igreja não substitui Israel diretamente; a Igreja é o povo do Verdadeiro Israel (Jesus).

A vinda de Cristo trouxe uma Mudança Qualitativa na natureza do povo de Deus. Veja a diferença:

Característica Israel (Antigo Pacto) Igreja (Novo Pacto) Natureza da Mudança
Composição Comunidade Mista: Crentes e incrédulos (nascidos da carne). Comunidade Regenerada: Apenas crentes (nascidos do Espírito). Da carne para o Espírito.
Sinal da Aliança Circuncisão: Marca física no nascimento natural. Batismo: Selo espiritual após a profissão de fé. Do físico para o espiritual.
Realidade Sombra e Tipo: Mediada por leis, rituais e tipos. Realidade e Antítipo: Realidade celestial, eschatológica e habitada pelo Espírito. Da sombra para a realidade.

Portanto, a Igreja é a comunidade da Nova Aliança, uma realidade superior porque está sob um pacto estabelecido em “melhores promessas” (Hebreus 8:6). A continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento existe, mas ela passa obrigatoriamente pelo filtro de Jesus Cristo.

Essa distinção qualitativa não é apenas teórica; ela define como vivemos a igreja hoje.


5. Aplicação Prática: Por que isso importa?

Compreender o Aliancismo Progressivo fornece as respostas para questões práticas que dividem denominações há séculos:

Ao dominar esses conceitos, você agora possui uma chave hermenêutica poderosa. Você não verá mais a Bíblia como dois livros separados, mas como uma jornada única onde cada detalhe do Antigo Testamento sussurra o nome Daquele que viria para cumprir tudo: Jesus Cristo, o verdadeiro Israel de Deus.

Sistema Hermenêutico Relação Israel e Igreja Papel de Cristo na Aliança Conceito de Pactos e Administrações Prática de Batismo Natureza da Comunidade (Mista ou Regenerada) Continuidade vs Descontinuidade (Inferido)
Aliancismo Clássico (Teologia do Pacto) Relacionamento direto de substituição ou cumprimento; a igreja é o “Novo Israel”. Mediador das administrações do Pacto da Graça. Estrutura baseada no Pacto das Obras (com Adão) e Pacto da Graça (administrado em várias etapas bíblicas). Pedobatismo (batismo infantil), visto como equivalente à circuncisão do Antigo Testamento. Comunidade mista (composta por crentes e seus filhos, incluindo potenciais incrédulos). Alta continuidade; pouca mudança qualitativa entre a Antiga e a Nova Aliança sob o mesmo Pacto da Graça.
Aliancismo Progressivo Relacionamento indireto e mediado por Cristo; a igreja relaciona-se com Israel apenas através de Jesus. Verdadeiro Israel; aquele que assume e cumpre perfeitamente a vocação e missão de Israel. Ênfase na revelação progressiva através das alianças bíblicas que culminam em Cristo, sem a divisão clássica. Credobatismo (batismo de crentes), baseado na nova natureza da comunidade da aliança. Comunidade regenerada (constituída apenas por aqueles que professam fé salvífica em Cristo). Continuidade mediada com descontinuidade significativa; há uma mudança qualitativa superior na Nova Aliança.
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