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Dispensacionalismo Progressivo

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Briefing: Fundamentos e Evolução do Dispensacionalismo Progressivo

O presente documento sintetiza as análises, marcos históricos e princípios teológicos contidos na obra “Dispensacionalismo Progressivo”, de Craig A. Blaising e Darrell L. Bock. O material detalha a transição do pensamento dispensacionalista desde suas raízes clássicas até sua forma contemporânea, denominada “progressiva”, que busca uma integração maior entre as alianças bíblicas e o plano redentivo de Deus.

Sumário Executivo

O dispensacionalismo progressivo representa uma mudança significativa na interpretação das Escrituras dentro da tradição evangélica. Diferente do dispensacionalismo clássico, que via um dualismo eterno entre um propósito celestial (Igreja) e um terreno (Israel), e do dispensacionalismo revisado, que manteve distinções organizacionais rígidas, o dispensacionalismo progressivo propõe uma visão holística e unificada da redenção.

Os pontos centrais desta abordagem incluem:


1. Contexto Histórico e Desenvolvimento

O dispensacionalismo não é um sistema estático, tendo passado por três fases principais de desenvolvimento:

Origens e Propagação

As Três Formas do Pensamento Dispensacionalista

Característica Dispensacionalismo Clássico Dispensacionalismo Revisado Dispensacionalismo Progressivo
Principais Proponentes Darby, Scofield, Chafer. Ryrie, Walvoord, McClain. Blaising, Bock, Robert Saucy.
Dualismo de Redenção Dualismo central: Povo Celestial (Igreja) vs. Povo Terreno (Israel). Abandono do dualismo metafísico; distinção organizacional entre os grupos. Redenção holística: Igreja é parte do progresso histórico do plano de Deus.
Concepção da Igreja “Parênteses” ou intercalação na história da redenção. Entidade espiritual distinta, relacionada ao Cristo nos céus. Manifestação da graça que inaugura bênçãos da Nova Aliança.
O Reino de Deus Distinção entre “Reino de Deus” (moral) e “Reino dos Céus” (davídico). Diversas teorias (universal, espiritual, milenar); Reino como “interregno” ou “adiado”. Reino escatológico unificado; inaugurado na primeira vinda e consumado na segunda.

2. Características Comuns da Tradição Dispensacionalista

Apesar das mudanças, oito pilares sustentam a identidade desta tradição:

  1. Autoridade das Escrituras: Ênfase na Bíblia como única revelação inerrante e prática do ministério expositivo.
  2. Dispensações: Reconhecimento de sucessivos arranjos pelos quais Deus administra Sua relação com a humanidade.
  3. Singularidade da Igreja: A Igreja é uma nova dispensação originada no Pentecostes pelo batismo do Espírito.
  4. Significado Prático da Igreja Universal: Valorização da unidade cristã que transcende divisões denominacionais.
  5. Significado da Profecia: Interpretação das profecias incluindo aspectos políticos, nacionais e terrenos futuros.
  6. Pré-milenismo Futurista: Crença de que Cristo retornará para reinar na terra após um período de tribulação futura.
  7. Retorno Iminente: O arrebatamento da Igreja pode ocorrer a qualquer momento (geralmente pré-tribulacionista).
  8. Futuro Nacional para Israel: Convicção de que as promessas bíblicas de restauração para a nação de Israel serão cumpridas literalmente.

3. O Dispensacionalismo Progressivo: Temas Centrais

O modelo progressivo busca aproximar o dispensacionalismo da interpretação bíblica evangélica contemporânea, refinando os seguintes conceitos:

Redenção Holística e Unificada

O plano de Deus não é dividido em propósitos mutuamente exclusivos (terreno vs. celestial). A redenção cobre todos os aspectos da vida humana. Na eternidade, todos os salvos compartilharão a mesma glória e bênçãos do Espírito, embora as identidades nacionais e étnicas (Israel e as Nações) permaneçam como parte da diversidade da humanidade redimida.

A Estrutura das Alianças

Natureza da Igreja

A Igreja não é uma raça “terceira” ou diferente. Ela é a humanidade redimida (judeus e gentios) nesta era. Judeus cristãos não perdem sua herança nas promessas futuras de Israel; eles são o remanescente que testemunha a reconciliação que será plena no Reino futuro.


4. Hermenêutica: O Método Histórico-Gramatical-Literário-Teológico

A base do dispensacionalismo progressivo é uma hermenêutica que considera a interação dinâmica entre autor, texto e leitor.

Elementos da Interpretação

Tipologia e Cumprimento

A tipologia no sistema progressivo é horizontal e histórica, não apenas vertical e espiritual. Eventos e pessoas do Antigo Testamento (tipos) encontram correspondência em eventos posteriores da história da redenção, culminando em Cristo. O significado dos eventos é dinâmico, revelando-se mais profundamente à medida que a história de Deus avança (revelação progressiva).

Níveis de Certeza

O texto defende uma postura de humildade interpretativa, classificando o entendimento em quatro níveis:

  1. Convicção Absoluta: Fundamentos básicos da fé.
  2. Convicção Firme: Visões preferidas em questões com divergência.
  3. Convicção Leve: Questões onde se admite a possibilidade de o outro estar correto.
  4. Incerteza Genuína: Áreas onde não há clareza textual suficiente.

Conclusão

O dispensacionalismo progressivo afirma-se como um sistema de continuidade na mudança. Ele mantém os marcos distintivos da tradição (futuro para Israel, pré-milenismo), mas rejeita o isolamento da Igreja em relação ao progresso histórico das alianças. Ao ver o Reino como “já iniciado, mas ainda não consumado”, esta perspectiva oferece uma base teológica para a ação da Igreja no mundo como parte de um plano holístico de restauração de toda a criação.

Sistema Teológico Principais Proponentes Características das Dispensações Relação Israel e Igreja Visão sobre o Reino de Deus Principais Alianças Envolvidas Fonte
Dispensacionalismo Clássico John Nelson Darby, C. I. Scofield, Lewis Sperry Chafer Arranjos diferentes sob os quais os seres humanos são testados. Foca no dualismo entre humanidade celestial e terrena. Dualismo estrito; Israel é o povo terreno e a Igreja é o povo celestial. A Igreja é vista como um parênteses ou intercalação na história da redenção terrena. Distinção entre Reino de Deus (governo moral universal) e Reino dos Céus (reino davídico messiânico adiado). Aliança Abraâmica interpretada literalmente (terreno/Israel) e espiritualmente (celestial/Igreja). Nova Aliança focada primariamente em Israel. [1]
Dispensacionalismo Revisado Alva J. McClain, John Walvoord, Charles Ryrie, J. Dwight Pentecost, Stanley Toussaint Abandono do dualismo metafísico (celestial/terreno) por uma distinção organizacional entre dois grupos de pessoas (Israel e Igreja). Distinção estrutural e nominal eterna entre Israel e Igreja, mas compartilhando a mesma salvação (vida eterna). Abandono da distinção entre Reino de Deus e Reino dos Céus. Diversas teorias (Reino Mediatário, Universal, Espiritual, Teocrático). Reconhecimento de um elo de aliança entre Israel e Igreja, especialmente na Nova Aliança, embora mantendo distinção de cumprimento (espiritual para Igreja, nacional para Israel). [1]
Dispensacionalismo Progressivo Craig A. Blaising, Darrell L. Bock, Robert L. Saucy Arranjos sucessivos e progressivos na revelação e realização de uma redenção holística e unificada. A Igreja é uma parte vital do plano de redenção de Israel, não um plano secundário. Visão holística: judeus e gentios compartilham as mesmas bênçãos espirituais sem perder distinções étnicas/nacionais. Reino escatológico unificado com dimensões políticas e espirituais, inaugurado na primeira vinda (já) e consumado na segunda (ainda não). Alianças Abraâmica, Davídica e Nova Aliança são vistas como fundamentos unificados, inauguradas parcialmente na Igreja e cumpridas plenamente no futuro. [1]

[1] Dispensacionalismo progressivo - Craig A. Blaising.pdf

👨‍💼 Craig Blasing,Darrel Bock